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Simplesmente uma vitória

Autódromo de Goiânia. Pouco antes do início do treino de aquecimento, no domingo pela manhã, era visível a tranquilidade do paranaense Leandro Totti em meio à tradicional movimentação de convidados na área dos boxes. Parecia confiante exibindo no rosto certo ar de satisfação e contentamento, tal qual um menino prestes a ganhar um presente esperado há muito tempo. 
 
Satisfeito, observava o vai e vem de pessoas circulando entre pilotos, mecânicos, seguranças etc. Munidos de câmeras digitais e telefones celulares, para registrar imagens de caminhões, pilotos e tudo mais que encontrassem pela frente, essa multidão  - característica em todas as provas -  é sempre bem vinda no ambiente da F-Truck. Os mecânicos da equipe de Totti caprichavam no polimento do caminhão, com tal zelo como se o brilho ajudasse o veículo a deslizar com maior facilidade na pista. 
 
Em outras escuderias também havia certa calmaria, mas nem tanto, cada uma com suas preocupações. O forte calor – antes da nove da manhã – prometia um dia quente, com temperatura para colocar à prova qualquer sistema de arrefecimento do motor ou eficiência do sistema de freio. Nestas condições, a quebra do  motor, ou qualquer outro componente, durante a corrida, era uma grande possibilidade, mas isso parecia não incomodar o piloto de Londrina.  Aliás, um dia antes – nos treinos de sábado – o clima típico da região já havia feito vítimas, mas com Totti e sua equipe estava tudo bem. Parecia estar adivinhando que o domingo lhe prometia comemorações.  
 
Para o público em circulação pelos boxes, pouco importava o calor, condições da pista e dos caminhões, quebras e trabalho das equipes e pilotos, entre outras particularidades. Domingo é dia de relaxar e estavam ali para ver a F-Truck por dentro, bem de perto, e colocar as mãos nos caminhões, falar com pilotos, juntar histórias para o futuro. Enfim, um compromisso somente com a diversão.  
 
Nesse ambiente, cabe sempre uma curta e objetiva conversa com os pilotos. Porém, é preciso saber a hora e o jeito, além de conhecer um pouco o comportamento de cada um, para se aproximar da maneira mais adequada para se aproximar  e puxar conversa sem ser inconveniente. “E aí, João, tudo bem?”, perguntou Djalma Fogaça, com ar de pouco ânimo. Dono da equipe DF Motorsport, o ex-Caipira Voador, é um sujeito gozador, brincalhão e  dono de excelentes tiradas, desde que tudo esteja correndo bem e dentro de suas expectativas.  Não era o caso naquela manhã, apesar de ser situação normal antes de cada prova ele estar concentrado no trabalho e sem tempo para conversa.  
 
No boxe ao lado estava Diumar Bueno, cujo motor havia sido refeito às pressas por seus mecânicos a partir a partir do final da tarde do dia anterior. Mas ele já se considerava feliz por poder participar daquela corrida, embora seu pensamento estivesse alternando entre Curitiba (cidade onde mora, a mais de 1.300 quilômetros de Goiânia) e a corrida a ser disputada naquele domingo quente. 
 
Tinha uma boa razão, pois na noite anterior havia nascido seu primeiro neto, filho de sua filha Sheren Bueno, a loira que ficou conhecida na F-Truck por ser a primeira a dirigir o Pace Truck na categoria. A corrida tinha se tornado pequeno detalhe para ele, em um domingo “quênte”, como dizem os paranaenses. Mas não para Totti, instalado no boxe ao lado. 
 
Ele estava ansioso esperando a hora de entrar na pista, acelerar e mostrar todo o potencial do seu caminhão naquele final de semana.  “Vou botar pra moer” me disse ele, com um sorriso de canto de boca, em resposta ao comentário sobre poupar o caminhão para chegar ao final da corrida. E moeu, até mesmo os adversários na pista, para os quais não deu chances. Nem mesmo o piloto da casa, Leandro Reis - grande conhecedor do traçado - conseguiu acompanhá-lo, mas ganhou um elogio de Totti: “foi difícil fazer a ultrapassagem, meu xará estava muito rápido”. 
 
Ao final do domingo, Totti havia ganho o dia e cumprido sua missão, com mais uma vitória, a quinta em sua carreira. Entre poucas palavras, com muita calma declarou: “já fazia muito tempo que eu não vinha para o pódio em primeiro”. 
 
Nada mais, além de um tímido sorriso, como se ainda não tivesse acabado o período difícil vivido após ter saído da extinta Londrina Truck Racing, equipe na qual ingressou na categoria e conquistou quatro vitórias, sendo a última em abril de 2007, no autódromo de Tarumã, Rio Grande do Sul. Sobre suas pretensões na corrida de São Paulo nada disse, mas é certo que vai brigar pela sua segunda vitória no autódromo paulista, onde foi o primeiro a cruzar a linha de chegada na etapa de 2005, com Djalma Fogaça em segundo pedindo passagem.  Totti é o terceiro piloto a vencer em 2012 em quatro corridas disputadas. Isso tudo é um pedacinho da F-Truck. Até a próxima.

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