A categoria mais popular do continente!

Coisas da chuva

 A F-Truck tem certas particularidades bem diferentes de outras categorias do automobilismo brasileiro. Os pneus utilizados pelos caminhões durante as corridas, por exemplo, são os mesmos que a fabricante disponibiliza para o consumidor final.  Quem acompanha as provas sabe que o detalhe está na raspagem dos sulcos da banda de rodagem, de modo que a máquina utilizada para esta tarefa deixa pneu liso e mais apropriado para um veículo de corrida. 
 
Nos casos de pista molhada, a solução é calçar os trucks com os pneus do jeito que saíram da fábrica.  E foi exatamente assim que os caminhões entraram na pista para a corrida de São Paulo, num domingo chuvoso e gelado.
 
Mesmo com pneus para a pista molhada, quem assistiu viu que não faltaram rodadas, derrapagens e saídas da pista ao longo de toda a corrida, que, aliás, teve número de voltas abaixo das expectativas, por conta das condições da pista. Só para constar, o goiano José Maria Reis foi o único piloto a colocar pneus lisos no seu caminhão. Mas apenas no eixo dianteiro, em decisão tomada por ele ou sua equipe, quando todos já faziam a volta de apresentação para receberem o sinal de largada. E assim, ele largou dos boxes e ficou na 23ª posição (a última), para fazer uma corrida de recuperação. A experiência chegou a dar algum resultado, pois a certa altura da corrida ele era um dos pilotos mais rápidos na pista e terminou a prova - válida pelo Brasileiro e também pelo Sul-Americano - em 13º. Esta posição lhe garantiu os primeiros dois pontos na temporada 2012, e na chuva.
 
Parte do público - principalmente aquela que se encontra assistindo a corrida do sofá - gosta de ver corrida com a pista molhada, mas os pilotos da Truck nem tanto, embora não seja a totalidade. Roberval Andrade, por exemplo, por mais de uma vez já declarou preferência por acelerar na chuva. Embora ele seja um piloto persistente e rápido, nesse momento não vem à lembrança uma vitória dele em tais condições. 
 
Mas é preciso reconhecer que no autódromo paulista, onde é o maior vencedor da categoria, com quatro vitórias, ele fez a lição de casa direitinho. Soube aproveitar de modo eficiente as oportunidades que surgiram logo no início da corrida, pois ocupou o sétimo lugar no grid e na terceira volta já estava na liderança. 
 
Merecia ter vencido, para consolidar de suas habilidades na chuva, mas Leandro Totti, que havia largado da oitava posição, não deixou isso acontecer. Aliás, o paranaense também não cometeu erros que pudessem comprometer sua corrida, e depois que desceu do primeiro lugar do pódio fez questão de dizer ter aproveitado ao máximo os trechos secos de asfalto para acelerar mais forte. Dessa maneira ele conseguiu manter a vantagem em relação a Roberval Andrade, que era o mais rápido na pista molhada e, por consequência, uma ameaça. Isso aconteceu com maior intensidade nas voltas finais da corrida, quando Andrade - que ocupava a segunda posição desde a quinta volta - tinha com ele a expectativa de vencer. Afinal, seria a redenção, pois sua última vitória foi em dezembro de 2010, em Brasília/DF, última etapa daquele ano. Enfim, desde então o segundo lugar foi o melhor de Roberval e valeu comemoração. 
 
Ainda em relação à corrida de Interlagos, cabe mais uma observação, sobre a suposta vantagem dos caminhões com motores de 12 litros - ou mais - sobre os de 9.2 litros, que tracionam os Ford e Volkswagen. Entre os pilotos que competem com engenhos maiores em seus caminhões, há aqueles que - por motivos óbvios - não se furtam em dizer que na F-Truck atual estas diferenças não existem mais, porque hoje em dia a competitividade é muito grande na categoria. Isso não deixa de ser verdade, mas existem pontos a serem considerados quando se trata de Interlagos, onde a maior potência pode fazer grande diferença, tratando-se de um caminhão bem equilibrado, resistente e com um piloto competitivo, fazem diferença. 
 
Por outro lado, os nove litros têm também suas vantagens, pois cerca de mil quilos a menos de metal e de outros materiais não é algo para ser ignorado, principalmente no miolo do circuito de Interlagos, onde as curvas são determinantes. Por conta disso, não é por acaso que Adalberto Jardim ficou com o terceiro lugar no pódio este ano com seu Volkswagen. E só para lembrar, na corrida do ano passado, dos cinco pilotos que subiram no pódio três correram com motor “de nove litros”, e tanto agora quanto em 2011,  as condições da pista tiveram muito menos influência do que se imagina no resultado final da corrida. E um lembrete para a próxima etapa, em Cascavel, no extremo Oeste do Estado do Paraná. Os pilotos vão correr em um autódromo totalmente novo, inclusive os boxes foram trocados de lugar e a expectativa de todos é fazer bonito na pista, assim como em São Paulo e, provavelmente, teremos boas histórias para contar depois da corrida. 
 

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